Segundo jogo no pacaembu: primeiro tempo
Sob pressão
Chuva forte, campo enlameado, poças d’água por todos os lados. Mais experiente, o Santos tratou de lançar bolas longas sobre a área do Cruzeiro para Pelé e Toninho forçarem os erros de William e Procópio.
Para não perder o meio de campo, Lula escalou Amauri no lugar de Dorval. Sua missão era ajudar Zito e Mengálvio a parar Tostão e Dirceu. E Piazza, que havia anulado o Rei no jogo de ida, sem poder recuar demais para não abrir brechas no meio de campo, ficou fora de jogo no começo do 1º tempo.
Com amplo domínio do jogo, o Santos abriu o placar aos 23. Pelé driblou William e chutou no canto: 1 x 0. Aos 25, após receber passe de Pelé, Toninho invadiu a área e deslocou Raul: 2 x 0.
Piazza recuou e voltou a colar em Pelé. O Cruzeiro respirou, começou a tocar a bola. O Santos arrefeceu um pouco seu poder ofensivo. Após descansar um pouco, voltou a atacar furiosamente nos últimos 5 minutos.
Aos 40, Pelé passou por Piazza e lançou Toninho entre Procópio e William. Raul saiu do gol e defendeu nos pés do centroavante. Um minuto depois, Toninho acertou a trave. Aos 44, Pelé ficou cara-a-cara com Raul. O goleiro fez milagre.
Terminou. Só 2 x 0.
Graças a Deus!
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segundo jogo no pacaembu: intervalo
Intervalo
Aírton Moreira, que na chegada a São Paulo, recebera apoio dos irmãos mais famosos, Aymoré e Zezé, estava perplexo. “Tá tão ruim que nem eu sei como consertar. Façam o que vocês acharem melhor”, recomendou aos jogadores.
Para piorar, num gesto de provocação, Mendonça Falcão, presidente da Federação Paulista de Futebol e Athiê Jorge Cury, presidente do Santos, procuraram Felício Brandi para acertar data e local do terceiro jogo. Foram enxotados, aos berros, do vestiário.
Felício aproveitou a visita inoportuna para mexer com os brios dos jogadores. Na volta, os craques conversavam, combinavam jogadas, animavam-se mutuamente. Estavam certos de que podiam virar o placar. Afinal, já haviam vencido duas vezes o time de Pelé naquele ano.
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segundo jogo no pacaembu: segundo tempo
A demolição do pentacampeão brasileiro


Sequência do primeiro gol do Cruzeiro, marcado por Tostão
imagens: TV Cultura
O Piazza voltou disposto a parar Pelé. E o Rei ficou no bolso do Capitão. Sem a companhia do melhor do mundo, Toninho virou presa fácil para os compadres William e Procópio. Dirceu e Tostão começaram a cair pelos lados do campo. Sem o fôlego dos garotos celestes, Zito e Mengálvio se perderam na marcação. Sob pressão, a defesa santista começou a falhar.
Aos 12, Hilton serviu Evaldo que foi derrubado na área por Oberdan. Pênalti. Tostão bateu mal. Cláudio defendeu. A torcida santista se assanhou à toa. Apesar do gol perdido, o Cruzeiro continuava controlando o jogo.
Aos 18, Lima derrubou Natal na lateral da área. Falta para cruzamento. Mas Tostão bateu direto. De curva: 1 x 2.
A partir daí, o Cruzeiro esqueceu-se de qualquer cuidado defensivo e dedicou-se a atacar. Dirceu exibiu seu repertório de gingas e dribles. Aos 28, tirou Joel de sua frente com um drible de corpo e fuzilou Cláudio: 2 x 2. Bastava.

Natal decreta o fim da disputa: Cruzeiro 3 X 2 Santos
imagens: TV Cultura
Nocauteado em pé, o Santos pedia só um empurrãozinho para cair. Aos 44, caiu definitivamente. Do lado esquerdo, Tostão passou por Lima e Zé Carlos e cruzou para trás. Chegando na corrida, Natal apenas cumprimentou Cláudio: 3 x 2.
Fim de jogo.
Enlameado, Piazza levantou a Taça Brasil, o troféu mais importante da história do futebol mineiro.
De todos os tempos!

Santos 2 x 3 Cruzeiro
quarta-feira, 7 de dezembro, Pacaembu, São Paulo, jogo de volta das finais da Taça Brasil 1966
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Juiz: Armando Marques (carioca)
Bandeiras:Germinal Alba e Antônio Medeiros (paulistas)
Expulsões: Procópio e Pelé
Renda:Cr$65.142.000
Público presente: 30.000 (estimado) |
Gols: |
Pelé e Toninho, no 1º tempo; Tostão, Dirceu Lopes e Natal, no 2º |
Cruzeiro: |
Raul, Pedro Paulo, William, Procópio e Neco, Wilson Piazza, Dirceu Lopes e Tostão, Natal, Evaldo e Hílton Oliveira. Tec: Airton Moreira |
Santos: |
Cláudio, Zé Carlos, Oberdan, Haroldo e Lima, Zito e Mengálvio, Amauri (Dorval), Toninho Guerreiro, Pelé e Edu. Tec: Lula |
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cruzeiro é campeão!
Carioca
José Paulo de Souza, Zé Paulo ou, para os boleiros, Carioca, jogou no Sete de Setembro e no Bahia. No Tricolor de Aço, conquistou o título brasileiro de 1959. Ele, sim, pode cartear marra de primeiro campeão brasileiro. Depois do Bahia, Carioca veio para o Cruzeiro. Por ocasião da inauguração do Mineirão, foi promovido a Diretor de Futebol compondo a equipe de Carmine Furletti.
Das nossas conversas regadas a cervejas geladas, uma foi aula de futebol. Ele descreveu - vi pela TV, mas ele estava no banco de reservas - uma das maiores atuações de um craque celeste em todos os tempos.
Naquela noite de 7 de dezembro de 1966, o Cruzeiro voltou para o 2º tempo com a missão de desfazer a vantagem santista de dois gols num gramado encharcado que prejudicava terrivelmente seu toque de bola.
Mudar o placar, em cima do time de Pelé, só por milagre. Ou com muita superação. E foi justamente o que aconteceu. Ele conta: “Logo de cara, tivemos um pênalti a nosso favor. Tostão bateu e perdeu. Pensei: ‘nada dá certo, não é nosso dia…’ Que nada! Tostão se multiplicou, passou a pedir todas as bolas e começou a infernizar a defesa do Santos com dribles, passes e lançamentos precisos. Tentou de tudo, até conseguir marcar seu gol, batendo falta aos 19 minutos. O time vibrou muito e passou a sufocar o adversário, sempre sob o comando de Tostão, até virar o placar. A raça do Tusta contagiou toda equipe.”

Os campeões brasileiros
Raul jogou 8 partidas e sofreu 7 gols; Tonho jogou uma e não tomou gol; Pedro Paulo jogou 7 e não marcou; William, 8 e 0; Procópio, 4 e 0; Cláudio, 4 e 0; Neco, 8 e 0; Wilson Piazza, 8 e 0; Ilton Chaves, 2 e 0; Zé Carlos, 2 e 2; Dirceu Lopes, 7 e 4; Tostão, 7 e 4; Natal, 8 e 3; Marco Antônio, 2 e 3; Wilson Almeida, 1 e 0; Evaldo, 8 e 6; Hilton Oliveira, 6 e 0; Dalmar, 1 e 1.
  
Mineiro acima de tudo
Cerca de 10 mil cruzeirenses e um emplumado foram a o Pacaembu. José Marques Dutra, o atleticano, morava em São Paulo e foi ao jogo prestigiar o companheiro de futebol de várzea e de grupo escolar, Hilton Oliveira. Eles haviam estudado no Lúcio dos Santos e jogado no Tremedal, instituições do Bairro Carlos Prates.
Dutra conta: “No dia do jogo, recebi, aqui em São Paulo, onde resido por razões profissionais desde 1962, telefonema do Hilton avisando que o Cruzeiro estava hospedado no Hotel Normandie. Nesse dia, arrumei uma folguinha no trabalho e fui ao hotel. Foi um reencontro agradável, emocionante mesmo pois, além do Hilton, outro companheiro e contemporâneo de bairro, Vavá, estava lá e pudemos conversar bastante. À noite, fui ao Pacaembu e fiquei impressionado. Vi uma verdadeira máquina de jogar futebol. Em nenhum momento, o Cruzeiro se intimidou com Pelé e Cia.
Minha mineirice aflorou tanto que torcedores do Santos, nas cadeiras ao meu lado, deram um delicado ultimato bem ao estilo paulistano: ‘ou fica calado, ou vai pra outro lugar’. É claro que prevaleceu a primeira opção, pois eu estava sozinho.Hilton tinha me dito, no hotel que, após o jogo, iam passar num bar da Galeria Metrópole, na Avenida São Luiz, centro de São Paulo e eu estava convidado. Aceitei o convite.Estavam lá, entre outros, Hilton, Vavá, Tostão e Raul. O que me chamou a atenção foi que a vitória sobre o Santos, pelo visto, já era esperada por eles. Tanto que pouco se falou sobre a partida.
Impressionou-me também a sobriedade de todos à mesa. Tomavam cerveja moderadamente e ainda atendiam, de forma educada, aos pedidos de autógrafos de pessoas das mesas vizinhas. À guisa de curiosidade, lembramos, eu e Hilton, de certa vez, quando o levei para treinar no time infantil do Continental, no qual eu jogava. Após o treino, um técnico chamado Geninho (só podia mesmo ser gênio), dispensou meu amigo alegando que ele só tinha pé esquerdo!”
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